Poesias.

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Um Sorriso




Um Sorriso

Teu sorriso quando me olha
Dispersa lembranças ruins,
Apaga maus do coração,
Acende o bem que faz feliz.

É simples assim;
Trás amor.
Meu querer revertido em amor,
Todo dia sentindo em amor.

No vento faz-se som inesperado - A solidão.
Mas você está comigo,
Ainda que a razão insista em dizer que não.

E sinto tanto, mal cabe o quanto;
Do sorriso da alegria
Até a amargura do pranto.
As realidades do amor:
Um beneficio e uma avaria.

Quinta-feira, Abril 13, 2006

Rosáceas




Rosáceas

No perfume das rosáceas, dopei.
Alegrei com esperança iludida,
Face às enganações da loucura que tive e não notei.

Jaz aqui meu perigo,
Minha droga, meu veneno - Meu conflito.
Minha flora que venero - Meu abrigo.
És o cheiro que nego, a vontade que sinto.
O sopro da esperança falida de um aflito.

O pesadelo da ressaca
De um engano marginal.
Uma serventia à véspera da irrelevância,
Um devaneio sem esperança.

Um pedaço, um pouco de cada coisa:
Do delírio à segurança.
Uma cegueira necessária
Das mazelas da lembrança.

Domingo, Abril 02, 2006

Às Paredes





Às Paredes.

Hoje as paredes me falaram
Que viram as dores do meu dia a dia,
Espantaram-me com tamanha humanidade.
Surrealidade era pensar que vivia eu uma insanidade.

Olhei para o teto e ele sorria – Não era alegria.
Percebi que era só pra me consolar,
Pra ser meu amigo e não me fazer chorar.

Voltei às paredes, elas giravam.
Fizeram-me rodar com elas,
E voltei até o infame tempo que fui feliz,
E da lembrança sorri.

Parei um momento e perguntei sobre a presença,
E elas disseram que sim, estavam presentes os tempos todo,
Vendo as intenções, zelando pelo testemunho de mim.

Desde que neste lugar cheguei,
Foram as companheiras mais assíduas,
E nada a mim fora falado até que precisasse,
Dado o momento, começaram:

- Fostes o que precisava pra se encher,
Pra entender tudo o que era preciso do seu jeito.
A avaria é um vento marcado,
Criado no dia em que a tempestade surge,
Marca no presente o atual do passado; estou amarelado.

- Nada te vi por detrás dos armários,
Mas tão pouco fora necessário
Para ouvir sons de tua agonia ao murmurar.
Nas noites que pensava que era em vão teu caminhar.

- Sempre que deitado estava ao teu lado,
Mesmo pensando estar sozinho, era contigo.
Segui teu tempo como algo novo e não esperado.
Desde a construção de toda sua feição,
Nos amores a dois às decepções sozinho.

- Foi a razão por teus momentos vividos,
E não cabe a ti acabar.
Tua oração foi por momentos não frigidos,
Quanto às emoções, foi tudo o que pode amar.

Dentre as lógicas que aprendi,
Fico com as das paredes –
Elas viveram o que vivi.

Sexta-feira, Março 31, 2006

Poetas



Os poetas têm um destino - Nunca são felizes.
È certo que vez ou outra pintem alegria,
Mas é tudo efêmero, tal como a emoção que possuem.

Poetas são escravos de si.
De seus sentimentos e razões;
Dos pensamentos, das morais e ilusões.

Sujeitos de palavras fáceis e fartas,
Das infames hipérboles,
Das fúteis parábolas e
Da compreensão que sempre passam desapercebidas -
Nulas e vãs.

Frustrados poetas,
Não sabem viver.
Não sabem o que é demanda,
Não sabem o que é prazer.

Pobres, nulos e fracos.
Tiranos das próprias armadilhas
Masoquistas das reuniões do eu,
Subjetivos instrumentos pálidos da palavra.

Fáceis poetas como eu,
Vivem na textura da ilusão
de qualquer perigo que a paixão arremessa.
São infames abertos das frases incertas,
Simplesmente poetas.

Morre de amores que está tudo perfeito,
Morra de amores que não tem mais jeito,
Definha, se humilha, se atrase; poeta.
Acredita, faz acontecer, deixe perder.

A vida é fácil como você,
Visão não interessa,
Seja poeta.

Domingo, Março 19, 2006

Sossego



Sossego

Poeta, porque não sossegar
Na calma do teu caminhar?
Porque não confiar?

Quanta pressa contigo,
Quanto murmuro, amigo!

Entre as criações de teus anseios
O que mais procurar?
Acredite em tu'alma -
O sentimento vai te bastar.

Quando dormires,
Espere que ela virá.
Num sonho ou viagem,
de maneira qualquer – Chegará.

E quando ela se for, e você acordar,
Não te desesperes.
Assim sempre será;
Teu amor não sabe esperar.

Vício




Vício

Se pudesse ser tudo o que quisesse,
Talvez a felicidade não viesse,
Mas algo seria certo - Sossego d'alma.

E se deitasse em consciência de meu melhor;
Com esperança morna e vazia,
Quanto eu melhoraria?

Minha vontade é ávida,
Faço na inquietude uns traços.
Não cato nos chãos migalha,
Nem me construo aos cacos.

Se a insatisfação que eu tenho
Fosse de todo malefício,
Não escreveria-me em versos tortuosos e incertos,
Nem me aventuraria sobre o vicio
de ser eternamente querer.

Sábado, Março 11, 2006

Um Tempo



Um Tempo

Fecho meus olhos,
Razão pra escrever não há.
Talvez no fundo de tudo,
A saudade fosse a razão de explicar.

O tempo me perdeu desta vez,
E mal posso esperar
Que ele recomece a andar,
Que pare com essa revolta,
Que acabe com minha falta,
E volte a me encontrar.

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Quão forte a beleza em mim?




Quão forte a beleza em mim?

Quão forte a beleza em mim?
Diante à fraqueza que guia o caminhar,
A tal que não chega ao fim.

Quanto é preciso acreditar,
E qual a necessidade de ser feliz?
A incerteza diz, e cresce o mal.

Quando a beleza se estraga,Diz:
-"Tire teus olhos de mim".

E diante toda putrefação,
A alma torna e revela:
Todo amor tem seu quinhão.

E refaz o feito de agir fraco.
Quase tépido, um pouco condicional,
Tanto quanto vasto,
E Tão antigo; o não sentimental.